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Archive for the ‘Imprensa’ Category

O novo edifício da Escola Brotero, inaugurado em 1958, na Quinta do Cidral na zona de S. José, ”veio pôr termo à série de agruras e vicissitudes com que se debateu ao longo da vida”esta Escola, segundo o director de então, Viana da Rocha. Desde a ocupação do refeitório do antigo convento de Santa Cruz, à do edifício do Jardim da Manga, do ex-Hospício da Maternidade frente ao Mercado D. Pedro V, do prédio da Rua da Boavista, do edifício do Museu Universitário, da Escola Primária de Almedina. Agruras que, porém, não impediram a Brotero de crescer e se transformar numa escola de referência na região, ao longo de 74 anos.

No 50º aniversário, em 2008, da inauguração do actual edifício iniciou-se a sua requalificação, há muito necessitada em vários sectores, mas ditada sobretudo pelo novos meios de comunicação e inovação tecnológica, nomeadamente os quadros interactivos, os videoprojectores e a vasta rede de programas informáticos. Hoje, as telecomunicações e toda a comunicação interna e externa da Escola passam pelo novo sistema de fibra óptica e, a partir do mês de Setembro, data prevista para a conclusão das obras, todos os serviços de secretaria, portaria, papelaria, reprografia, bar e refeitório estarão interligados, ficando, assim, mais facilitada a vida diária dos seus utentes.

A 1ª fase de requalificação começou nas antigas oficinas, hoje Bloco B, com as várias e tradicionais valências da Brotero e que constituem a sua verdadeira identidade: as oficinas de Electricidade, Electrónica, Mecânica, Mecânica-Auto, Cerâmica, Serigrafia, Teares, Carpintaria e respectivos armazéns; as salas de Hidráulica/Pneumática, CAD, CNC e os laboratórios de Construção Civil, Frio, Equipamentos Térmicos, Medidas Eléctricas, Automação e Electrónica. De notar que os novos armazéns das oficinas, as salas de Informática e os laboratórios de Física, Química e Biologia fazem parte da ampliação do antigo edifício, dado que este recebeu um novo corpo virado a norte, com uma linha arquitectónica moderna e toda envidraçada. Estas instalações entraram em funcionamento em Setembro, no início do ano lectivo 2009/10.

Entretanto, há vários meses que a construção e requalificação da 2ª fase, Bloco C (salas de professores, gabinetes de trabalho das Áreas Curriculares e arquivo), Bloco D (novo ginásio, balneários, parque desportivo coberto e posto médico) e parte poente do edifício principal se tinham iniciado. São dois blocos novos, contíguos, situados no lado poente dos terrenos centrais entre as antigas oficinas e o edifício principal, agora Bloco A, e que terão ligação directa ao bloco central, onde se situavam o antigo bar dos alunos, o ginásio e o refeitório. No início do 2º período lectivo, em Janeiro de 2010, iniciaram-se as actividades lectivas nestas novas instalações, com salas acolhedoras, um novo mobiliário e um excelente sistema acústico.

Após a mudança para as novas instalações, teve início a 3ª fase de requalificação, nomeadamente da parte nascente do Bloco A e do referido Bloco central. O Bloco A fica destinado só a salas de aula, espaço-memória, na entrada principal, agora piso -1, e à antiga biblioteca, que irá manter a sua traça original. Os três pisos ficarão ligados por um moderno elevador, como acontece já no Bloco B, destinado essencialmente a cargas e transporte de deficientes motores.

O bloco central está destinado à nova entrada da Escola que se fará pelo lado nascente, virada à praça Heróis do Ultramar, espaço bastante aberto e sem degraus e a comunicar com uma rua de trânsito reduzido e num só sentido. O amplo hall de entrada ficará situado no antigo ginásio pequeno e respectivos balneários. Deste hall central, piso 0, ter-se-á acesso facilitado à secretaria e demais serviços, aos vários blocos e recreios ajardinados que comunicarão, ao fundo, com as novas instalações desportivas. O espaço do antigo ginásio é destinado à nova biblioteca, que receberá um piso intermédio junto às janelas, ficando, assim, apetrechada para responder aos novos desafios da educação. Da ampliação deste bloco central consta a construção de um novo refeitório construído sobre o anterior, passando este a bar dos alunos, e um auditório com mais de duzentos lugares, sobre as antigas salas de artes, simétrica ao novo piso do refeitório, ladeando a moderníssima biblioteca.

Os espaços exteriores serão ajardinados, os muros requalificados e no canto, do lado nascente, do recreio frente ao antigo bar dos alunos será construído um anfiteatro destinado a actividades culturais ao ar livre.

José Armando Saraiva

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Um incêndio que deflagrou na estação dos correios a 1 de Janeiro de 1929, motivando a destruição das oficinas de Marcenaria, Serralharia, Talha e Formação, instaladas ainda no Jardim da Manga, obrigou à transferência das mesmas para o edifício recentemente ocupado pela Escola Brotero (ex-Hospício da Maternidade). Transferência que impôs, por dificuldades de espaço, a anexação de dependências contíguas, ocupadas por outros organismos, e diligências no sentido de ser construído no tabuleiro superior da cerca um corpo de oficinas.

A extinção, em Agosto de 1926, do Instituto Comercial e Industrial não contribuiu para a resolução do problema logístico, dado que um mês depois, as instalações devolutas se encontravam novamente ocupadas pela Escola Comercial, agora definitivamente incorporada na Brotero.

A 3 de Janeiro de 1935, nova catástrofe atingiu a Escola, a Torre de Santa Cruz ruiu, arrastando consigo a parte poente do edifício e inutilizando a central eléctrica privativa, montada no Jardim da Manga.

No progressivo desenvolvimento industrial e comercial da região, obrigou à ocupação de salas noutros edifícios da cidade. Assim, em 1940, o Estado arrendou um prédio na rua da Boavista (onde foi também instalada a oficina de Pintura Cerâmica, dirigida pelo célebre mestre António Vitorino), em 1957/58 ocupou uma dezena de salas no edifício do museu Universitário, por cima do Instituto de Medicina Legal, e utilizou igualmente três salas na Escola Primária de Almedina. A Escola encontrava-se deste modo dispersa pela cidade, numa situação considerada verdadeiramente insustentável.

Impunha-se, de facto, desde há muito a construção de um novo edifício. Projectos anteriores não haviam conseguido eco junto do Governo. Só após a promulgação das bases da Reforma que estabeleceu o novo Estatuto do Ensino Técnico Profissional, em

1948, foi aprovado, dentro de um programa a nível nacional, o plano de construção de um novo edifício para o ensino Técnico, em Coimbra.

A escolha do local não foi fácil, acabando por se preferir o lote da Quinta do Cidral, na zona de S. José. A construção, iniciada em 1954, terminou em Setembro de 1958. O edifício surgiu sem luxos supérfluos mas dotado do essencial. A inauguração fez-se simbolicamente em Novembro de 1958, com a presença de Leite Pinto, Ministro da Educação Nacional, e Arantes de Oliveira, Ministro das Obras Públicas.

No dizer de Viana da Rocha, seu Director, o novo edifício da Escola Brotero ”veio pôr termo à série de agruras e vicissitudes com que se debateu ao longo da vida”. Cedo, porém, a realidade se tornou outra. Nos anos 60/70,com a chamada explosão escolar e o alargamento da escolaridade obrigatória, bem depressa as novas instalações se tornaram exíguas. Assim, para além do levantamento na cerca de cinco pavilhões pré-fabricados, outras medidas foi premente tomar. Antonino Henriques, Director da Escola, tomou então a iniciativa de pôr a funcionar várias Secções, dentro e fora da cidade: a chamada Escola da Baixa (no edifício anterior, abandonado em 1958), em 1966/67; no mesmo ano uma Secção na Lousã; em 1967/68, outra no então edifício do Liceu D. Duarte, em Santa Clara; em 1969 outra ainda em Arganil.

Quando, em 1971, em apoio à experiência pedagógica posta em funcionamento pelo Ministro Veiga Simão, foi promulgado o desdobramento da Escola Industrial e Comercial Brotero em Escola Técnica de Avelar Brotero, Escola Técnica de Sidónio Pais (actual Escola Secundária de Jaime Cortesão), Escola Técnica da Lousã e Escola Técnica de Arganil, a Brotero, com aquela nova denominação, voltou a confinar-se às suas instalações de S. José. Instalações subaproveitadas, sem espaços perdidos, manifestamente insuficientes, sobretudo enquanto servindo simultaneamente os ensinos básico e secundário.

Hoje, na rua General Humberto Delgado, o edifício da Brotero – já escola exclusivamente secundária – está beneficiando de obras de requalificação, visando os novos tempos que vêm aí.

Maria de Lourdes Figueira

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A Escola Brotero ocupou, desde a sua fundação, instalações cada vez mais amplas, acompanhando o aumento nascente e diversificado da sua massa estudantil e dos cursos nela ministrados.

Gorada que foi, por carência de verba, a adaptação da antiga Igreja da Trindade (cedida pela Câmara) à recém criada Escola de Desenho Industrial, passou esta a utilizar uma sala emprestada pela Associação dos Artistas – o refeitório do antigo convento de Santa Cruz. Sala que, cerca de um ano depois, a instâncias do professor António Augusto Gonçalves, foi substituída, após obras de restauro e adaptação, por dependências do mosteiro situadas por cima desse antigo refeitório.

Elevada a Escola Industrial em Fevereiro de 1889 e necessitando por isso de mais espaço, foram anexadas às instalações da Brotero o andar superior da fachada de Oeste do Jardim da Manga, a antiga capela do noviciado, a fachada do sul do mesmo Jardim, assim como o pavimento térreo das duas fachadas e ainda o Jardim da Manga.

Ao director da Escola chegaram a ser dadas instruções para a execução de um projecto ( de que se encarregou o professor Hans Dickel) para um edifício de raiz, a construir na quinta de Santa Cruz, entre o mercado D. Pedro V e a actual Praça da República. Projecto que, todavia, nunca se concretizou no interesse da Brotero.

Para a instalação das oficinas, insistentemente reclamadas, as dificuldades não foram menores. Foi ainda do Mosteiro que a Câmara, em 1891, cedeu para o efeito as casas baixas do claustro da Manga. Mais tarde, com o aumento da frequência escolar, ferramenta e maquinaria, foram construídos pavilhões sobre os tanques do Jardim.

Nestas instalações, progressivamente beneficiadas, funcionou a Escola durante anos. Sob a direcção de Sidónio Pais, foi nelas erguida uma central eléctrica privativa. Esta medida e outras, como o engrandecimento do gabinete de Física – que rivalizava, segundo o professor Sílvio Pélico, com o seu congénere da Universidade -, contribuíram para uma acentuada melhoria das condições escolares.

Na madrugada do dia 13 de Janeiro de 1917, um violento incêndio destruiu parte das instalações. Assim, após um período em que, transitoriamente, ocupou dependências contíguas, a Brotero transferiu-se em Dezembro de 1918, para a casa da Quinta do Mosteiro de Santa Cruz – antiga residência de verão do Prior -, situada no espaço hoje ocupado pela Associação Académica. As oficinas mantiveram-se no Jardim da Manga.

De 1919 a 1920, funcionou no mesmo edifício, por falta de sede própria, a Escola Comercial de Coimbra, criada a 1 de Dezembro de 1918, a qual, em Junho de 1920, veio a ser transferida para o 1º andar arrendado dum prédio (hoje inexistente) na rua da Sofia (nº 157) – por baixo do qual se encontrava a Imprensa Académica -, tendo-se aí mantido até 1926, ano em que se incorporou definitivamente na Brotero.

Quando se criou o Instituto Industrial e Comercial de Coimbra, a 5 de Dezembro de 1921, a Escola Brotero partilhou com ele as suas instalações. Contudo, a escassez destas, a distância a que se encontravam das oficinas e do centro da cidade e a morosidade verificada na construção do novo edifício, já iniciado junto à Praça de República, levaram a que se determinasse a mudança dos dois estabelecimentos de ensino para  o então Hospício da Maternidade (antiga hospedaria do Convento de Santa Cruz e residência do seu Prior), frente ao mercado D. Pedro V, imóvel onde ainda hoje se encontra a Escola Secundária de Jaime Cortesão. E aí se manteve a Escola Brotero durante mais de trinta e cinco anos, sem nuca ter ocupado o novo edifício atrás referido.

Continua…

Maria de Lourdes Figueira

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A partir de 1983, digamos que a Escola Brotero recuperou um pouco da sua identidade. Dentro do projecto de relançamento do Ensino Técnico Profissional, tiveram lugar nos seus planos de estudo os bivalentes Cursos Técnico-Profissionais e Profissionais, a possibilitar o prosseguimento de estudos ou o ingresso na vida activa. A Brotero, dotada de infra-estruturas adequadas, equipamento específico e de um corpo docente qualificado, foi seleccionada para concretizar um plano de experiências-piloto a nível nacional. Tornou-se, com efeito, pioneira nestas experiências, pondo em funcionamento cursos diversos (alguns para o núcleo de deficientes auditivos, como o de Pintor Decorador Cerâmico e o de Técnico Auxiliar de Informática). E levou também a efeito cursos técnicos paralelos (apoiados por Programas da CEE, a que apresentou candidatura), com organização curricular, programas e coordenação da responsabilidade dos professores proponentes.

Após longo tempo de reflexão e busca de consensos visando a concretização de uma reforma de fundo do sistema educativo português, susceptível de construir “um projecto de sociedade que, preservando a identidade nacional, assumisse o desafio da modernização resultante da integração de Portugal na Comunidade  Europeia”, foi decretada, em 1986, uma Lei de Bases do Sistema Educativo. Segundo esta, a educação escolar compreenderia o ensino básico, obrigatório, com a duração de nove anos, o secundário, de três, e o superior, abrangendo o universitário e o politécnico. Na Escola Brotero, a Reforma entrou em vigor em 1992/93 no 7º ano e em 1993/94 no 10º ano, estendendo-se, progressivamente aos anos seguintes. No 10º ano formaram-se vinte e duas turmas (exagero de que resultou para a escola uma superlotação difícil de esquecer…), de cursos gerais e cursos tecnológicos (substituindo estes os técnico-profissionais do sistem anterior). Mais uma vez foi excluída da Brotero a Área de Humanidades, ou seja, o Agrupamento 4 (embora a mesma fosse reclamada por um vasto sector do Conselho Pedagógico). Em 1997/98, a Escola veio a perder a sua população mais jovem, o saudoso básico, lamentavelmente para muitos, dado ter sido através dela que havia sobremaneira adquirido o seu cariz tão espefícico. A Escola Brotero integrar-se-ia, assim, no somatório dos estabelecimentos de ensino que viriam a alcançar o estatuto de escolas exclusivamente secundárias. A partir daqui, verificar-se-ia também, na Brotero, uma recuperação de forma mais arreigada do  seu pendor tecnicizante. Foi-se, com efeito, acentuando a tendência de nela se introduzirem cursos tecnológicos/profissionais, a facilitar a inserção imediata ou a promoção dos alunos no mundo do trabalho.

Hoje, além dos Cursos Científico-Humanísticos, incluindo Artes Visuais, que a Brotero oferece no âmbito de Ensino Secundário diurno e do Ensino recorrente nocturno (a vigorar desde os anos noventa e já quase inteiramente convertido no chamado  Sistema de Educação e Formação de Adultos), funciona neste estabelecimento de ensino uma atractiva gama de Cursos Profissionais de Nível 3, em sectores como o da Electrónica, Automação, Economia, Contabilidade e Gestão, Informática, Multimédia, Electrotecnia, Metalurgia e Metalomecânica, Frio e Climatização, Energias Renováveis, Construção Civil, Design de Moda, Gestão do Ambiente, Secretariado. Nas oficinas mantêm-se ainda em funcionamento áreas ditas tradicionais, como a Mecânica-Auto, Cerâmica, Tapeçaria, Escultura, Electrotecnia, Construção Civil/Madeiras.

Em simultâneo, a Brotero prossegue a dinamização do seu Centro de Novas Oportunidades, que, curiosamente, rem feito regressar aos bancos da Escola muitos dos seus alunos de outras eras.

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Maria de Lourdes Figueira

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Pedaços da hitória 4

Pelos anos 60/70 aconteceu a chamada explosão escolar. Grande massa da população acorreu à Escola. O Ministro Veiga Simão, reconhecendo a todos o direito à educação e defendendo a igualdade de oportunidades, arquivou a dicotomia Ensino Liceal e Ensino Técnico Profissional, fazendo surgir em seu lugar um Ensino Secundário, Liceal ou Técnico. Foi assim que nos primórdios da década de 70, os Cursos de Formação e de Aperfeiçoamento do Ensino Técnico foram, progressivamente, dando lugar aos Cursos Gerais e Complementares do Ensino Secundário Técnico, os quais, mediante certas condições, viriam também a dar acesso à Universidade. Na agora (1971) denominada Escola Técnica de Avelar Brotero (liberta do seu Ciclo Preparatório, unificado em 1968/69 com o 1º ciclo do Ensino Liceal, dando origem ao Ciclo Preparatório do Ensino Secundário, que ainda funcionou na Brotero durante alguns anos), começaram a ministrar-se em 1971/72 os novos Cursos Gerais e em 1973/74 os novos Complementares (estes dos sectores Industrial, dos Serviços e das Artes Visuais).

Após esta mudança, que poderá considerar-se de transição, a Escola Brotero entrou no segundo momento da sua história – o iniciado em 1975/76 com a instituição do Ensino Secundário Unificado, reforma inovadora, pretendendo “uma adequação ao ensino às exigências políticas e culturais da sociedade portuguesa” no  pós –25 de Abril.Com a implementação de um “tronco comum”,o Ensino Secundário foi definitivamente unificado ,passando a Brotero a usufruir da mesma configuração estrutural dos antigos liceus. Lançado o 7º ano de escolaridade, alijou praticamente o seu cariz profissionalizante, embora tenha mantido áreas e opções de índole tecnológica ou artística, acrescidas posteriormente de outras que os tempos impuseram. Quase todas as áreas de Trabalhos Oficinais introduzidas por esta Reforma para os 7º e 8º anos tiveram assento na Brotero, assim como uma vasta gama das opções de Formação Vocacional previstas para o 9º,incluindo Mecanotecnia, Electrotecnia, Construção Civil, Arte e Design. A inovadora Área Cívica e Politécnica manifestou-se nesta Escola de particular interesse para a maioria dos alunos, professores e pais, interesse resultante de uma maior integração no meio e da realização de motivadores colóquios internos. Em 1978/79,foi lançado, a título experimental, o 10º ano de escolaridade. Na rede da  Brotero apenas se excluiu a área de Estudos Humanísticos, inscrevendo-se todas as restantes: a de Estudos Científico-Naturais, Científico-Tecnológicos(em que vieram a ganhar enorme relevo a Electrónica e a Informática), EconómicoSociais, Artes Visuais(com as componentes de Artes dos Tecidos e Artes do Fogo).O 12º ano, lançado em 1980,funcionou na Brotero desdobrado nas suas duas vias – a via de ensino e a via profissionalizante, esta com cursos como o de Desenhador Projectista Electrotécnico, Técnico de Manutenção Mecânica, Desenhador Têxtil, Secretário (a),Técnico de Instalações Eléctricas.

Na sequência da unificação, a Escola passou a denominar-se, em 1979, Escola Secundária de Avelar Brotero, nome que hoje, e com propriedade, ainda mantém.

Continua…

Maria de Lourdes Figueira

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paispositivo_publico_200908A Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra, inicia este ano as comemorações de uma dupla efeméride: o 125º aniversário da sua fundação (em 1884) e o 50º da ocupação das suas actuais instalações no Calhabé (1958).

Por feliz coincidência, quis o acaso que o Ministério da Educação iniciasse, há dois anos, um programa de requalificação de vários edifícios escolares, a nível nacional, sendo a Escola Brotero escolhida e enquadrada logo no primeiro conjunto a ampliar e a renovar. Nada, com efeito, de mais premente (basta observar o desgaste das escadarias principais…) e de mais justo.

Em entrevista à revista País Positivo, José Armando Saraiva, actual Director, falou sobre o passado e o presente desta Escola centenária, escola com memória, com uma matriz ímpar na cidade de Coimbra e na região Centro. Com uma identidade e uma alma muito próprias, possuidora de um vastíssimo património tecnológico e artístico, acumulado ao longo de gerações, rica de tradições e de história, autêntico museu vivo que interage com quem nela entra, dotada de insignes figuras, que constituíram o seu corpo docente, incluindo o seu primeiro director, Albino Augusto Manique de Melo, o poeta Eugénio de Castro, e especialistas estrangeiros: o italiano Leopoldo Battistini, o francês Charles Lepierre, os austríacos Hans Dickel e Emil Jock (que veio a dirigir a oficina de Gravura e Ornamentação de Metais, aberta em 1891 e para cujo funcionamento foram mandados vir modelos da Alemanha). É, por isso, esta Escola merecedora do tributo, da homenagem, de todos os que por ela passaram, ao longo de décadas, e foram dezenas de gerações, formadas nas mais variadas áreas. Nos primórdios, apenas no período nocturno, a de Desenho Elementar, beneficiaram do seu ensino “ alfaiates, canteiros, carpinteiros, empregados, encadernadores, funileiros, marceneiros, ourives, paliteiros, pedreiros, pintores de louça, sapateiros, segeiros, serralheiros e tipógrafos”.

É, por essência e tradição, uma Escola Técnica. Refira-se, por exemplo, que em 1918, passou a figurar no quadro de cursos e currículos da escola, com a inclusão do curso de Montadores Electricistas (de três anos), a área de Electrotecnia. Hoje, aproveitando todos os recursos existentes na escola, a Avelar Brotero apostou nos cursos profissionais. No entanto, “não somos uma escola profissional. Temos uma vasta oferta de especialização tecnológica, mas somos uma Escola Secundária, com uma componente forte de cursos científico-tecnológicos e científico-humanísticos, passando pelo Centro de Novas Oportunidades e pelo Reconhecimento e Validação de Competências.” A Brotero é uma presença viva na região de Coimbra, formando gerações de alunos, dando-lhes as ferramentas necessárias para enfrentarem melhor o futuro.

José Armando Saraiva definiu, no seu Projecto de Intervenção, as principais linhas de actuação para o futuro da Avelar Brotero. Partindo do diagnóstico da avaliação interna da escola, propõe ” privilegiar a componente pedagógica e cultural da escola, em detrimento de uma visão burocrática e administrativa, bem como implementar uma cultura de diálogo, análise e partilha entre os docentes, para que se combatam deficiências e lacunas na prática pedagógica das áreas curriculares”. É sua intenção assinar Contratos Pedagógicos com os alunos indisciplinados e respectivos Encarregados de Educação, agindo, assim, rapidamente no controlo da indisciplina, apoiando os professores, e reforçar a auto-estima dos alunos, bem como o seu investimento no trabalho escolar”.

Relativamente, à intervenção pela “Parque Escolar”, na requalificação dos edifícios, José Armando Saraiva, confidenciou que “a intervenção que está a ser feita é verdadeiramente de fundo e vem resolver muitos dos problemas que tínhamos. Há muitos anos que solicitávamos obras para a escola, nomeadamente, a construção de um auditório. De facto, com estas obras, podemos dizer que estamos dotados de todas as condições para melhorar, ainda mais, a qualidade do ensino que ministramos. Os excelentes laboratórios e as oficinas, no edifico já requalificado, são uma prova dessa futura qualidade. O novo gimnodesportivo, em fase de acabamento, os campos para modalidades desportivas, o novo auditório, a futura biblioteca, os quadros interactivos, a moderníssima rede de comunicações (indispensável ao Plano Tecnológico de Educação), os gabinetes para trabalho dos professores, o bar dos alunos e o futuro restaurante, os espaços para exposições temporárias são, neste sentido, a promessa de uma qualidade e de um futuro melhor dando, assim, continuidade à excelência do ensino da Brotero de ontem, de hoje e de sempre”.

O actual Director apelou, por fim, aos seus antigos e actuais utentes (alunos, professores e funcionários) que, até ao encerramento das comemorações (a efectuar aquando do termo da requalificação em curso dos edifícios), participem nas actividades propostas no vasto programa apresentado pela Comissão das Comemorações, presidida pela Drª Maria de Lourdes Figueira.

Artigo publicado pela Revista País Positivo – Jornal Público

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